bom a primeira arte francesa a gente nunca esquece. Por motivos sentimentais não está a venda.
Minha primeira peça em Arte Francesa: por que ela nunca esteve à venda
Durante muitos anos esta postagem tinha apenas uma foto e uma frase:
"Por motivos sentimentais ele não está à venda."
Quem visitava meu blog provavelmente imaginava que fosse apenas uma peça da minha coleção particular. A verdade é que existe uma história muito maior por trás desse quadro, e hoje resolvi contá-la.
Como era essa peça
O trabalho era um pequeno quadro de MDF medindo aproximadamente 30 x 15 cm, protegido por vidro.
A base foi pintada de branco por fora e em um delicado tom de hortênsia por dentro. Depois da pintura, apliquei verniz e esperei toda a secagem. Somente essa etapa levou cerca de três dias.
No centro do quadro havia um vaso com orquídeas e hortênsias produzido com a técnica da Arte Francesa.
O que é Arte Francesa?
Para quem nunca teve contato com essa técnica, a Arte Francesa consiste em transformar uma imagem plana em uma composição tridimensional.
Utilizamos várias cópias da mesma imagem. Cada folha é recortada cuidadosamente, camada por camada. Depois, as peças são modeladas para ganhar relevo e montadas sobre a imagem principal, criando profundidade e um efeito tridimensional.
É uma técnica que exige muita paciência, precisão e atenção aos detalhes.
Como aprendi
Meu primeiro contato com a Arte Francesa aconteceu através da artesã Iara Capraro, no programa de televisão Criatividade Sem Limites.
Foi ali que me apaixonei pela possibilidade de transformar uma simples gravura em uma peça cheia de volume e delicadeza.
Mas também aprendi uma lição importante: assistir a uma aula na televisão não era suficiente para dominar a técnica. Precisei buscar outras fontes de aprendizado, estudar e praticar bastante.
Os desafios da primeira peça
Essa foi minha primeira experiência com Arte Francesa.
Usei cinco folhas da mesma imagem para montar o trabalho.
O maior desafio foi recortar todos os pequenos detalhes das flores e das folhas sem danificá-los.
Depois vinha outra etapa igualmente delicada: bolear cada peça para criar volume e posicionar todas as camadas corretamente.
Hoje consigo enxergar pequenos erros que na época nem percebia, mas eles fazem parte da história dessa peça.
Por que ela nunca esteve à venda?
Ela nunca foi minha melhor peça.
Na verdade, estava longe disso.
Mas era a primeira.
Cada novo trabalho que produzi depois dela tinha um objetivo silencioso: ficar melhor que o anterior.
Ela virou minha referência de evolução.
Sempre que terminava uma nova peça, eu comparava com essa primeira experiência e percebia o quanto havia aprendido.
Foi exatamente por isso que nunca consegui colocá-la à venda.
O artesanato como terapia
Quando fiz esse quadro, eu estava dedicando meu tempo integral aos cuidados da minha tia Vanda.
Minha rotina era praticamente toda dentro de casa.
Naquele período, o artesanato deixou de ser apenas um passatempo.
Ele se tornou uma forma de respirar, relaxar e ocupar a mente.
Enquanto recortava cada flor, pintava cada detalhe e montava cada camada, eu encontrava alguns momentos de tranquilidade em meio às responsabilidades do dia a dia.
O fim de um ciclo
Curiosamente, essa peça permaneceu comigo durante aproximadamente dezesseis anos.
Somente este ano 2026 decidi descartá-la.
Pode parecer estranho depois de tanto apego, mas senti que aquele ciclo havia terminado.
Eu já não trabalhava mais com Arte Francesa havia cerca de quinze anos.
Olhei para o quadro com carinho, agradeci tudo o que ele representou na minha trajetória e abri espaço para novas fases da minha vida como artesã.
Nem sempre guardar tudo é a melhor maneira de honrar uma lembrança.
Às vezes, seguir em frente também é uma forma de agradecer.
O que essa peça me ensinou
Ela me ensinou que a paciência faz parte do processo.
Ensinou que uma técnica artesanal não se aprende em apenas uma aula.
Ensinou que cada trabalho é um passo de evolução.
E principalmente mostrou que ninguém começa fazendo sua melhor obra.
Todo artesão tem uma primeira peça.
E, mesmo quando ela está longe da perfeição, é justamente ela que torna todas as outras possíveis.
Se hoje eu pudesse dar um conselho para quem está começando seria simples:
Tenha paciência, confie no processo e permita-se aprender enquanto cria.
Maravilhoso, parabéns pelo seu talento... Por gentileza, sabe onde encontro esta lâmina? Obrigada, Ângela.
ResponderExcluiroi Angela, fico contente que tenha gostado, eu fiz essa peça em 2009 e eu não sei se a empresa ainda tem esse desenho do catalogo, mas elas são da Litoarte, procura no google por papel de arte francesa.Abraços
Excluir