Mega Artesanal 2026: 20 anos da feira e as mudanças que observei ao longo do tempo
No dia 11 de julho de 2026, visitei mais uma edição da Mega Artesanal, que neste ano comemorou seus 20 anos de história.
Desta vez a visita teve um significado ainda mais especial. Minha mãe foi comigo e, de certa forma, também comemorou esse marco, afinal ela esteve presente em todas as edições da feira desde o início.
Chegamos por volta das 9h30, meia hora antes da abertura dos portões. Como já era esperado, a entrada estava completamente tomada por visitantes. Depois de tantos anos frequentando a Mega Artesanal, posso dizer que nunca vi uma edição vazia. A energia de milhares de pessoas apaixonadas por artesanato continua sendo uma das marcas registradas do evento.
O encanto continua existindo
Minha mãe já não guarda muitas lembranças das primeiras edições da feira por causa das dificuldades de memória que enfrenta hoje.
Foi bonito observá-la olhando cada estande como se fosse a primeira visita.
Ela não demonstrou interesse pelos tradicionais minicursos, mas caminhou por todos os corredores admirando vitrines, peças e novidades com aquele olhar de encantamento que só quem realmente gosta de artesanato consegue ter.
Foi uma experiência simples, mas muito emocionante para mim.
Hoje eu visito a feira de outra forma
Quando comecei a frequentar a Mega Artesanal, os minicursos eram uma das grandes atrações.
Era comum enfrentar filas enormes para conseguir uma vaga.
Hoje percebo que meu objetivo mudou.
Prefiro deixar quem deseja participar dos cursos aproveitar essa experiência enquanto caminho pelos corredores mais tranquilos, especialmente nos estandes localizados ao fundo dos pavilhões.
Aprendi que as primeiras horas da feira são preciosas para observar vitrines, conversar com expositores e analisar tendências antes que o movimento fique intenso.
Essa mudança talvez represente minha própria evolução como artesã.
Antes eu ia aprender técnicas.
Hoje vou observar o mercado.
O que mais chamou minha atenção
Uma das peças que mais me encantou foi uma boneca Blythe apresentada em um cenário em miniatura, quase como um pequeno diorama.
Achei interessante perceber essa evolução.
Anos atrás o destaque era apenas a boneca.
Hoje muitos artistas criam verdadeiros mundos em miniatura ao redor dela, transformando cada peça em uma pequena obra de arte.
Também parei bastante tempo observando os estandes da Polycol e da Art Madeiras.
As vitrines estavam extremamente bem montadas e reuniam justamente duas técnicas pelas quais sempre tive grande admiração: o biscuit e a pintura em madeira.
As tendências que acredito que veremos nos próximos meses
Percorrendo os corredores da feira, fiquei com a impressão de que algumas áreas continuarão bastante fortes.
Entre elas:
- costura criativa;
- amigurumi;
- resina;
- encadernação artesanal.
As bonecas de pano continuam presentes, embora com menos representantes do que em outras épocas.
Já técnicas tradicionais, como o crochê e a pintura em tecido, mostram mais uma vez que nunca saem de moda.
Os estilos mudam.
As peças evoluem.
Mas essas técnicas continuam encontrando seu espaço.
Uma curiosidade que me surpreendeu foi perceber que a resina continua muito forte, enquanto senti falta de empresas apresentando novidades relacionadas à impressão 3D, algo que eu imaginava encontrar com mais frequência.
Uma feira que também mudou
Depois de visitar tantas edições da Mega Artesanal, foi impossível não perceber algumas mudanças.
Alguns estandes tradicionais diminuíram de tamanho.
Outros não participaram desta edição.
Não vejo isso necessariamente como algo negativo.
Na verdade, acredito que o mercado mudou.
Hoje compramos praticamente qualquer material pela internet, algo que era muito diferente quando comecei a frequentar a feira.
Eu mesma não comprei absolutamente nada nesta edição.
Não porque faltassem produtos interessantes.
Muito pelo contrário.
Meu estoque de materiais e ferramentas está completo, então fui com outro objetivo: observar tendências e entender para onde o mercado está caminhando.
As ideias que trouxe para casa
Toda vez que volto da Mega Artesanal, levo muito mais do que fotografias.
Levo inspirações.
Às vezes é uma combinação de cores.
Outras vezes é uma ideia para um acabamento.
Nesta edição voltei pensando especialmente na produção de arquivos digitais para encadernação, principalmente voltados para sistemas de fichário e argolas.
É um caminho diferente daquele que sigo atualmente, mas que despertou minha curiosidade e certamente fará parte dos meus estudos nos próximos meses.
Também saí bastante animada ao perceber que a encadernação artesanal continua conquistando espaço.
Espero acompanhar essa nova fase e fazer parte dela.
Vinte anos depois...
Saí da feira com três sentimentos muito claros.
Nostalgia.
Lembrei das edições em que passava dias inteiros caminhando pelos corredores, do calor intenso, das multidões e da sensação de voltar para casa completamente cansada, mas feliz.
Nunca trocaria essas lembranças por outra experiência.
Inspiração.
A Mega Artesanal continua sendo um lugar onde as ideias parecem surgir naturalmente.
Sempre encontro uma nova combinação de cores, um acabamento diferente ou uma tendência que desperta minha criatividade.
Esperança.
Ver a encadernação artesanal ganhando espaço novamente me deixou muito otimista.
O artesanato está mudando.
As plataformas de venda mudaram.
A tecnologia mudou.
Os consumidores também mudaram.
Mas acredito que a Mega Artesanal continuará acompanhando essa transformação e inspirando novas gerações de artesãos.
Que venham os próximos vinte anos.
Algumas fotos que tirei da feira:
























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