O perfil da bruxa e do mago: muito além dos estereótipos
Há alguns anos, durante uma conversa, contei a algumas pessoas que me considerava uma bruxa. A reação delas foi de surpresa.
Quando perguntei o motivo, a resposta foi curiosa: eu não me vestia nem me comportava como uma bruxa.
Então fiz outra pergunta:
Como uma bruxa deveria se vestir?
A resposta veio acompanhada daquele velho estereótipo que muitas pessoas conhecem: roupas predominantemente pretas, maquiagem escura, pentagramas enormes, unhas pretas e uma aparência quase ameaçadora.
Foi justamente essa situação que me fez pensar sobre a imagem que a sociedade construiu a respeito das bruxas e dos magos.
Não existe uma aparência específica que permita identificar uma bruxa ou um mago.
Algumas pessoas gostam de roupas pretas, utilizam símbolos ligados à sua espiritualidade ou incorporam determinados elementos estéticos ao seu cotidiano. Outras preferem roupas coloridas, discretas ou simplesmente não demonstram externamente nenhuma característica relacionada às suas crenças.
A aparência, portanto, não é suficiente para dizer quem uma pessoa é.
Ser bruxa ou mago, dentro das tradições que utilizam esses termos, também não significa simplesmente conhecer ervas, estudar Tarot ou recorrer a um feitiço sempre que surge um problema.
Muito menos significa possuir poderes sobrenaturais capazes de resolver qualquer situação em um estalar de dedos.
O que significa ser bruxa ou mago?
Para mim, essa questão está muito mais relacionada à maneira como uma pessoa se relaciona consigo mesma, com os outros e com o mundo ao seu redor.
Uma pessoa pode assumir sua espiritualidade sem precisar transformá-la em uma fantasia para satisfazer a expectativa dos outros.
Pode ser sensível e, ao mesmo tempo, ter senso de humor.
Pode estudar assuntos espirituais e continuar interessada em música, literatura, artes, ciência, trabalho, família e tantas outras coisas que fazem parte da vida cotidiana.
Também não vejo necessidade de abandonar automaticamente tudo aquilo que fazia parte da nossa vida antes de descobrirmos ou assumirmos uma determinada tradição espiritual.
Cada pessoa constrói sua própria trajetória.
A espiritualidade não precisa ser uma fantasia
Um dos estereótipos mais persistentes é a ideia de que uma bruxa precisa parecer misteriosa, sombria ou ameaçadora.
Mas uma pessoa pode carregar sua espiritualidade de maneira muito mais simples.
Ela pode não usar nenhum símbolo visível.
Pode trabalhar, estudar, cuidar da família, fazer artesanato, ler um livro, ouvir música e levar uma vida completamente comum.
Nada disso torna sua espiritualidade menos significativa.
Para mim, assumir esse caminho também significa compreender que não somos superiores às outras pessoas e que não precisamos nos vangloriar de supostos poderes ou conhecimentos especiais.
Somos pessoas, com nossas qualidades, limitações, erros e aprendizados.
O contato com outras pessoas também faz parte do caminho
Ao longo da vida, convivemos com pessoas que possuem histórias, opiniões e experiências completamente diferentes das nossas.
Esse contato pode ampliar nossos horizontes e nos ensinar coisas que jamais aprenderíamos permanecendo apenas dentro do nosso próprio círculo.
Conhecer outras pessoas, ouvir suas experiências e estabelecer relações saudáveis também pode fazer parte do desenvolvimento pessoal.
Talvez seja justamente por isso que eu não acredito que exista um único "perfil" capaz de definir uma bruxa ou um mago.
Há pessoas muito diferentes entre si que utilizam esses termos para descrever suas próprias experiências e caminhos espirituais.
E talvez a única característica realmente comum seja justamente esta:
não precisamos nos transformar no estereótipo que os outros criaram para sermos quem somos.
Este texto reflete uma visão pessoal sobre espiritualidade, bruxaria e os estereótipos associados a essas palavras. Diferentes tradições e praticantes possuem compreensões próprias sobre esses conceitos.


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